Esse texto é meu, e foi feito especialmente para minha nova coluna no site www.empresasresponsaveis.com.br
Espero que gostem!
Imagine país de estrutura semi-feudal, cuja economia dependia da produção açucareira de grandes empresas americanas, tendo seu comércio boicotado e o acesso à tecnologia ainda hoje muito debilitado pelo embargo dos EUA?
Cuba é dividida em 14 províncias as quais possuem grandes áreas rurais estatizadas graças à reforma agrária iniciada em 1959, após a revolução. Dentro dessas áreas rurais, existem muitas famílias que durante décadas dependem do solo para sua sobrevivência.
A falta de informação e tecnologia fez com que o solo se desgastasse, o que tem sido forte agravante para a economia familiar rural.
A partir do ano de 2000, incentivado por um grupo científico multidisciplinar do Instituto Nacional de Ciências Agrícolas (INCA), surge o Programa de Inovação Agropecuária Local (PIAL).
Hoje presente em nove das 14 províncias Cubanas, vem incentivando o desenvolvimento de técnicas agrícolas, a fabricação artesanal de compotas e condimentos, o plantio de hortaliças para subsistência e comércio local, bem como o cultivo de grãos trazendo independência dos insumos estatais para a criação de gado suíno na região de San Andrés (125 km oeste da capital Havana).
O programa se articula em cinco eixos de trabalho: Captação e comunicação, pesquisa, produção animal, diversificação de sementes e manejo agrícola integrado.
Além de estarem atentos às capacidades e peculiaridades de cada região, o PIAL ainda vem incentivando a independência financeira de mulheres camponesas, que hoje podem sozinhas cultivar suas hortaliças além de conseguirem uma renda extra com a fabricação de conservas de frutas como manga, frutas cítricas e o tomate. Os alimentos são orgânicos, livres de conservantes e agrotóxicos.
O incentivo vem diminuindo o machismo nas regiões rurais de Cuba, melhorando a economia das famílias e ainda está devolvendo a auto-estima dessas mulheres, que hoje sonham com o nascimento de uma pequena agroindústria, a qual ofereceria emprego a jovens e mulheres.
Cuba que um dia praticou basicamente a agricultura extensiva, dominada por grandes empresas americanas que detinham o monopólio do cultivo de cana-de-açúcar em quase todo o território, hoje quase 50 anos após a reforma agrária no país e, começa a andar numa direção economicamente e ecologicamente correta.